NOVA POSTAGEM !
É uma extensão do carinho que tenho por esse universo e um convite para você fazer parte dele para além das palavras. Se você gosta de sentir uma história com todos os sentidos — ouvindo, vendo e trocando ideias —, os Extras vão te fazer sentir em casa.
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VIE
Antes do colapso, houve o começo. Calem e seus amigos partem de Vaniville com a leveza de quem ainda não sabe o que a jornada cobra. Há risos, descobertas, os primeiros laços — e, nas bordas da estrada, marcas que ninguém ainda aprendeu a ler. Vie é o livro da vida que ainda se acredita inteira. Uma história amar, sobre aprender antes de entender, sobre a hesitação que protege e isola, e sobre a sombra que cresce enquanto Kalos celebra o que ainda não perdeu.
Capítulo I — A decisão é inteiramente sua
Capítulo II — TBA
Capítulo III — TBA
Capítulo IV
Capítulo V
Capítulo VI
Capítulo VII
No coração de Kalos, onde as luzes de Lumiose brilham sobre ruínas antigas e as florestas guardam segredos que a Liga prefere ignorar, uma geração de treinadores se prepara para partir. Eles acreditam na jornada que lhes foi prometida — oito insígnias, um campeão a derrotar, o caminho traçado por aqueles que vieram antes. Mas há camadas em Kalos que os manuais não ensinam.
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Nome: Neo Pokémon Kalos | Nome Popular: Neo Kalos ou NXY,
Gêneros: Ação, aventura, comédia, drama, romance, Coming of Age
Classificação indicativa: 16+
Número de capítulos: -- | Número de Livros: 3
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SINOPSE — LIVRO I: VIE
Kalos é uma região de belezas antigas e tradições profundas, onde a jornada dos treinadores é celebrada como um rito de passagem. Para Calem Deschamps, que cresceu ouvindo que o talento natural é suficiente, a jornada parecia um caminho já traçado. Ao lado de Serena, Shauna, Tierno e Trevor, ele parte de Vaniville com a leveza de quem ainda não sabe o que o mundo cobra.
Mas Kalos tem camadas que os manuais não ensinam.
Entre as primeiras insígnias e as descobertas que cimentam amizades, há marcas na floresta que ninguém explica, relatórios que desaparecem nos arquivos da Liga e uma cidade, Lumiose, que se reconstrói antes mesmo de saber o que perdeu. Enquanto o grupo celebra vitórias e enfrentam os primeiros reveses, uma sombra silenciosa cresce — a Equipe Flare, ainda um sussurro, já deixa seus rastros.
Vie é o primeiro movimento de uma saga que acompanha Calem e seus amigos do entusiasmo inicial à conquista da Mega-Evolução, do doce peso dos primeiros laços ao momento em que compreendem que hesitar também é uma forma de escolha. É um livro sobre a vida que ainda se acredita inteira, sobre o preço da inocência e sobre a descoberta de que, às vezes, aprender a agir é mais urgente do que aprender a entender.
Com uma narrativa que combina o realismo psicológico ao worldbuilding denso de Kalos, Vie inaugura uma série que promete redefinir o que se espera de uma história de treinadores — onde o verdadeiro desafio não está nos ginásios, mas no que se perde quando se demora a escolher.
Disclaimer:
⚫️ A história é uma adaptação dos jogos Pokémon X e Y (Nintendo 3DS) e Pokémon Legends Z-A (Nintendo Switch), havendo acontecimentos, locais e personagens cem por cento originais. A narrativa não será cem por cento fiel aos acontecimentos da trama principal dos jogos.
⚫️ A marca Pokémon e seus produtos, personagens e criaturas pertencem à The Pokémon Company International, Game Freak, Nintendo e Creatures Inc. e seus criadores. Os demais personagens originais são de propriedade intelectual da autora.
⚫️ Temas como desordens e transtornos psicológicos, sexualidade e orientações sexuais, morte, violência, crimes, dentre outros, serão abordados, havendo indicação de gatilhos caso necessário no início dos capítulos.
⚫️ Personagens LGBTQIAPN+ e aliados se fazem presentes na obra. Caso não goste ou seja contra a causa retire-se.
⚫️ Elementos da vida real referentes à França, assim como de outros países e suas respectivas culturas, serão misturados a elementos do Mundo Pokémon e originais dentro da história.
PRÓLOGO
O mundo cedia de forma desigual.
Como se certas partes ainda tentassem sustentar uma ordem que outras já haviam abandonado. O ar, pesado e granular, arranhava a garganta a cada respiração, carregado de um gosto metálico que se fixava na língua como zinco.
A estrutura central erguia-se do caos do terreno como uma monstruosidade botânica e mineral, uma flor de lótus de pedra de proporções colossais. Suas pétalas externas, de um azul-acinzentado frio e opaco, eram cobertas por cicatrizes escuras e irregulares, um padrão de ferrugem estelar que se assemelhava a escrita antiga.
Ao longe, a estrutura se abria: pétalas de cristal desdobrando-se numa cadência demasiado lenta para ser natural, demasiado precisa para ser caótica. Do núcleo deste desabrochar de pétalas menores, estas cristalinas e translúcidas, a luz emergia.
Não iluminava — ela persistia. Demorava-se onde já não deveria existir, apagando margens, devorando as distâncias entre o aqui e o agora.
No coração desse conjunto, suspensa por tensões invisíveis, a esfera perfeita repousava, o 'Ponto Zero' do disparo, um globo de luz pura que emanava chamas de um ciano e carmesim doentio para cima.
Calem não retirou a mão.
O calor atravessara a palma, restando apenas o contato, contínuo, uma fusão onde o corpo parecia absorvido pelo mecanismo até que a fronteira entre carne e silício desaparecesse. Os dedos mantinham-se firmes sobre o terminal, apesar do chão sob as botas não tremer em caos, mas em pulsos rítmicos. Ondas de choque que subiam pelas pernas e se fixavam na mandíbula como uma dor surda.
— A conta fechou. O sistema entrou em ciclo de feedback — disse ele. O tom era neutro, a voz de quem lê um veredito já verificado. — O sistema exige o aterramento. Se eu não interromper a sequência agora, a ressonância consome o continente.
Ele fez uma pausa, o suor ardendo nos olhos.
— Não há margem para erro.
— E se... — Serena engoliu em seco, um movimento forçado que pareceu rasgar sua garganta. — E se você parar a sequência agora?
— O mundo continua. O equilíbrio é restaurado — Calem finalmente desviou o olhar para ela. — Mas você está no núcleo. Não há como retirá-la da equação sem colapsar o disparo.
A última palavra demorou. Não muito. O suficiente para o silêncio pesar mais que a máquina.
Serena permanecia no centro do feixe, imóvel. A luz, ao atravessá-la, agia como um revelador químico: o traço firme do maxilar, a linha exata do nariz, o brilho concentrado de olhos que se recusavam a vacilar. O cabelo, suspenso pela corrente estática, movia-se em atrasos mínimos, obedecendo a uma gravidade estrangeira. Havia nela uma nitidez que o resto da realidade perdera; uma definição quase rígida que resistia enquanto o mundo ao redor se tornava um borrão de luz difusa.
O zumbido do núcleo subiu uma oitava. Um grito eletrônico que exigia uma decisão.
Calem olhou para a alavanca de ignição. Olhou para a mulher que ocupara o seu espaço, fatia por fatia, até não sobrar nada de sua própria razão original. Ele não era mais o filho prodígio, nem o treinador promissor. Era apenas um homem diante de um interruptor.
— Faça.
Não foi um pedido. Foi um comando de sistema.
Os dedos dele apertaram. Pararam.
A pressão voltou, ligeiramente deslocada, como se o gesto tivesse de ser reaprendido no instante em que acontecia. Do outro lado do véu de fótons, Serena não desviava. Havia uma precisão violenta na forma como ela se mantinha inteira, como se qualquer recuo — por mínimo que fosse — comprometesse algo maior do que o próprio corpo.
Essa integridade introduzia uma falha sutil no ritmo de Calem. Um atraso que não aparecia nos dados, mas que estava lá, inscrito na forma como o ar entrava curto demais e saía tarde demais. Entre eles, persistia o mesmo gesto repetido através do tempo — não como memória, mas como estrutura. O ponto exato onde a escala do mundo deixa de ser suficiente para conter o peso de uma escolha. Onde o vasto se torna irrelevante diante do que está ao alcance da mão.
O indicador final estabilizou. Verde. Estéril.
O mundo lá fora era um conjunto de variáveis sem rosto. Ela era a única constante.
Calem inspirou — a falha veio no meio — terminou tarde.
Os dedos fecharam-se. Desta vez, sem correção.
Fechou os olhos e luz branca devorou o resto.
















